O ARTISTA

Jerci Maccari, nascido em 1949 em Urussanga (SC), um garoto tímido, criativo, tinhoso e voluntarioso de certa forma, filho de agricultores, o mais velho entre 10 irmãos. Aos 4 anos de idade, mudou-se para Francisco Beltrão, Paraná, onde viveu sua infância no campo, assistindo a rotina diária de seus familiares plantando e colhendo, participando da natureza dia após dia. Quando estava com 6 anos precisou ajudar sua mãe em casa, cuidando dos irmãos menores e ajudando nos afazeres da casa.
Sentiu-se atraído pelas cores ao ver um pinheirinho desenhado por uma prima que ganhará meia dúzia de lápis de cor, pelo natal. Aporrinhou sua mãe até ela comprar-lhe uma caixa de lápis de cor de 6 cores, com os quais desenhava as mesmas coisas que sua mãe bordava em fronhas e lençóis; Aos 7 anos, tempo de ir à escola, que distava 3 km de sua casa (caminho este percorrido diariamente a pé), diferenciou-se dos colegas pela habilidade no desenho e no manuseio das cores.
Motivado por uma educação mais qualificada e uma vontade de seguir a carreira religiosa, ele resolveu antes de completar 13 anos partir para o Seminário de Ibicaré (SC), onde recebeu intensa formação humanístico-religiosa e uma educação impecável. Foi então que seu dom artístico se acentuou, experimentando novos materiais como o já conhecido lápis de cor, agora de 12 cores, e aquarela (placas endurecidas que deveriam ser diluídas em água). E nesta época, também surgiu a paixão pela música, quando inicia os estudos do violino.
O tempo de Ibicaré, durou 5 anos, se esgotou e o próximo passo era sua transferência para o seminário de Pirassununga, onde cursou o Curso Clássico no período de 1969 a 1976, tempo suficiente para conhecer artistas, continuar os estudos do violino, enveredar mais intensamente pelo mundo das artes, acesso a livros e revistas de arte, contato com pessoas fora do seminário. Era o auge da Jovem Guarda, abertura maior que o seminário dava, diferente do sistema educacional de Ibicaré, o que lhe permitiu fantasiar muito e ousar ainda mais. Mas o tempo de Pirassununga também se esgotou rápido, 3 anos, e era a vez da transferência para a casa religiosa de Valinhos, para cursar Filosofia, quem estuda filosofia, a cada dia de aula passa a pensar diferente e a questionar muita coisa que antes não questionava.
Conheceu um grupo de jovens artistas que tinham criado o GRUPO PESQUISA 70. Não chegou a participar dele, mas pela influência deles entrou de cabeça na pintura e continuou os estudos do violino. Essas atividades não religiosas roubavam tempo para as “COISAS da IGREJA”, como dissera seu superior. E foi assim que em 1972, desliga-se definitivamente da vida religiosa, “aconselhado” por seu superior, inicia a vida de leigo, exercendo seu total e absoluto controle de sua liberdade. E assim, entra num curso livre de pintura no Conselho Municipal de Cultura de Valinhos, onde recebe orientação firme de Sebastião Guimarães que percebe de imediato ser um garoto diferenciado e o encaminha para mundo da arte moderna, mostrando-lhe vários caminhos. Isso dura muito pouco, pois o professor se desliga e Jerci Maccari, perdendo seu contato, começa uma trajetória de criar livremente e pintar aquilo que lhe vinha a mente.
Como todo jovem artista, cheio de ideias faz tudo; experimenta tinta a óleo, guache, aquarela, produz suas próprias telas, molduras, fabrica sua tinta branca base para tudo, motivo: falta de dinheiro para custear sua produção. Ao vender algum trabalho custeava suas necessidades básicas.

 

Foto: Paulo Rennó

 

Valinhos era uma cidade acolhedora, onde vários de seus amigos de seminário que haviam se desligado antes formaram uma república de estudantes. Foi morar lá, juntando-se a eles para viver da pintura, mas como todo início de carreira é sempre difícil, para Jerci Maccari não foi diferente, precisou de um emprego fixo, que consegue 6 meses depois, numa multinacional onde permaneceu por 16 anos, até 1986. Depois disso, segue carreira solo como artista e gestor cultural. Como formação acadêmica, tem Filosofia e Comunicação Social – Relações Públicas.  Na área artística é um fuçador, um autodidata, cuja trajetória teve várias fases. A primeira exposição individual feita no Coreto Musical Carlos Gomes (1972), Jerci Maccari considera o marco, o início de sua longa trajetória. Hoje um cidadão honorário Valinhense.

Jerci Maccari, no início usou e usa até hoje para estudos o lápis de cor. Atualmente pinta suas telas, ora com tinta a óleo, ora com tinta acrílica. Um grande momento, um divisor de águas foi quando na empresa onde trabalhava foi feita uma matéria sobre os funcionários que se dedicavam a outras atividades, diferente daquela que exerciam na empresa. O jornal interno, dirigido pelo amigo Alcides Acosta, fez uma matéria mostrando as suas pinturas. Trabalhava como analista de organização e métodos e aceitou sugestão de um amigo para formar um consórcio com suas obras. E assim foi feito, um bem sucedido consórcio de obras de Jerci. No primeiro momento foram criados 3 grupos com 12 pessoas cada, todo mês era sorteado uma pessoa de cada grupo e o pagamento era descontado em folha e creditado na conta do artista. No segundo momento fora criado 2 grupos com 12 pessoas cada, e o terceiro momento só um grupo com 12 pessoas, pois os grupos eram feitos de pessoas conhecidas. Nesse momento, Jerci percebe que o mercado era promissor, e ao se desligar da empresa, torna-se gestor de um escritório de arte, permanecendo até Collor assumir a presidência e sequestrar todo dinheiro em conta. A partir de então, torna-se representante comercial, para ganhar o principal sustento, sem abandonar a arte e assim trabalha por mais 20 anos até se aposentar.

Pouco antes de se aposentar retoma estudo do violino, abandonados em 1985. Surge a ideia da formação de uma pequena orquestra da qual se torna diretor presidente e onde é musico e toca violino. Essa orquestra atualmente conta com cerca de 50 músicos.