POR QUE PINTAR? O QUE PINTAR?

A grande necessidade de extravasar emoções, buscar referências, comunicar-se de outras maneiras que não a linguagem, foram impulsos que levaram Jerci Maccari a buscar o caminho da Arte.
Na ânsia de encontrar linguagem própria, marcante e pessoal, busca na sua fonte, na sua origem aquilo que lhe é mais caro, suas referências afetivas começaram a dominar suas composições, ao ponto de ser por elas completamente dominado.
Na ansiedade de ter perto de si seus familiares, todos eles se tornaram personagens de suas telas, como forma de mantê-los, ainda que ficticiamente, todos perto de si, como resgate psicológico e afetivo.
E ao mesmo tempo desenvolve uma narrativa sócio-geográfica-cultural e histórica da agricultura familiar, largamente praticada na região sul do país.
A ausência do rosto de seus personagens é uma crítica social a pouca importância dada ao trabalhador rural, a mão de obra fundamental e indispensável, produtora do alimento, que sem ela, nos os COSMOPOLITAS, morreríamos de fome.
Ausência de rosto, sem identidade, passa ser um personagem universal, que, de acordo com o olhar de cada espectador, poderá lhe dar qualquer outra identidade, de acordo com o meio em que vive.
Todo ano Jerci volta a Francisco Beltrão para a residência de seus pais, no campo, onde cria seus novos quadros.